10 de junho de 2009

Dia de mercado

Hoje fomos ao mercado mensal, eu e a minha mãe. Perdemos um saco e voltámos a trás para ver se ainda o encontrávamos. Nada. De volta à saída ambas pensámos o mesmo, sem dizermos nada uma à outra, encontrar um corredor de bancas de forma a não passarmos na zona dos animais.

Sem êxito o conseguimos e quando demos por nós lá estavam eles, esquilos, piriquitos, pombos e um sem número de outros animais enclausurados, sem espaço, encavalitados uns em cima dos outros, em minúsculas gaiolas. Numa delas estavam 5 pombos, num espaço tão exíguo,
que mal se podiam mexer. Um deles estava permanentemente a dar bicadas noutro que tentava fugir pelo chão da gaiola, sem ter por onde escapar. Por mim não tinha parado, fingindo não ver pela dor que me causa, mas a minha mãe parou. Parou e agiu.

Comprou o pombo que estava a ser bicado e ainda outro, vieram ambos em caixas de sapatos. Quando chegámos a casa dela abrimos as caixas para os soltar mas eles, mesmo com as caixas abertas, não saiam. Tanto tempo de clausura sem saber o que é a liberdade deve ser aterrador.

Com um empurrãozito saíram mas ficaram no chão, um pouco aturdidos e desorientados. Mais um empurrão e voaram para cima de uma figueira, a custo pois aquelas asas há muito que não deviam saber o que é voar. Com água e comida por perto lá ficaram.

Comigo fica um grande ensinamento. Da próxima vez que for à feira já não vou evitar passar no corredor dos animais, sei agora como posso agir.

6 de junho de 2009

remoção do solo

Desde esta altura, ou melhor depois de ver como o solo ficou, "quebrado", tenho pensado que o melhor mesmo seria acabar com a vinda do tractor e com a consequente remoção do solo, mesmo com a enxada. As abordagens convencionais acabam por persistir e o que eu pensava ser algo positivo tem tido um efeito nefasto, destruidor, potenciando mais voos de "pássaros tristes".

Nas leituras que tenho feito, nas conversas com a minha prima E., que foi quem me deu a conhecer o site do Nelson Avelar e o conceito de Permacultura, pela observação de outras hortas, percebo que existem "novas" formas de cultivar, formas que preservam a estrutura do solo, a parte mais importante para se conseguir hortas saudáveis e resistentes a pragas.


No passado Domingo, andava por aqui a pesquisar e encontrei, à última da hora, o IV Encontro Alternativas em Sintra onde se iria falar sobre construções com materiais naturais. Decidi ir mas, entretanto, lendo mais atentamente o programa vi que iria haver uma palestra sobre Permacultura. Nem hesitei. Valeu a pena por vários motivos.

Primeiro porque conheci quem está "por detrás" do blogue A.B.C. Hortas Gourmet, depois porque trouxe a solução que me vai substituir uma nova vinda do tractor.

Problema:
No monte temos uma invasão de eslcaracho, e que foi agravada quando passou o tractor, que o espalhou ainda mais. É uma erva de difícil erradicação, as raízes chegam a atingir 70 cm e basta ficar um pedacinho na terra para ele continuar a crescer. Ainda assim estávamos a pensar no tractor para remover a erva, trazendo-a à superfície para secar durante o Verão.

Solução:
Tapar toda a zona do terreno, onde está a erva, com cartão e deixar ficar. Como nessa parte do terreno não vamos cultivar ficará assim até à próxima Primavera. Na verdade já fazíamos isso nas zonas de cultivo, com jornal e palha, e efectivamente em certas partes a erva não nasce e nas zonas junto às plantas (mais descobertas) nasce muito menos. O solo fica coberto, protegido, toda a vida do solo e sub-solo protegida e veremos bandos de pássaros felizes.

Definitivamente, no Outono, partiremos para a construção de camas hortícolas.

5 de junho de 2009

Madressilva


Esta madressilva (Lonicera japónica) já existe há muitos anos, sempre no mesmo local e meio selvagem, sem qualquer tipo de cuidado em especial, nem sequer rega. Na foto não se vê mas, da forma como cresceu, faz uma pequena gruta no interior. Talvez por isso esteja tão viçosa, pois gosta de ter as raízes na sombra e o topo ao sol; o tipo de terreno, arenoso, também é o mais indicado para esta planta.

Ao olhar para ela lembrei-me que poderia ser uma boa opção para cobrir a casa das ferramentas. Neste momento colocámos vinha virgem, que também resulta numa boa cobertura, excepto no Inverno, altura em que perde a folha, ao contrário da madressilva que é de folha perene. Vou fazer estacas em Julho, umas por mergulhia e outras em vaso, e esperar que vinguem.

Pode ser utilizada como cobertura de solos, ajudando a prevenir a sua erosão, desde que controlada, pois pode tornar-se invasora. O perfume libertado pelas suas flores atrai muitos insectos polinizadores e pássaros, é uma outra opção a considerar, além dos tomilhos, para uma parte do terreno que limita a horta e que precisa de ser coberto.

4 de junho de 2009

Do outro lado da horta


Este é o local onde está a passiflora, a vinha virgem, entre algumas ervas aromáticas e plantas medicinais. A passiflora já está a trepar pela figueira e terá de ser reconduzida. A rega está instalada e estrumámos os canteiros talvez há 2 meses. Praticamente não tem presença humana. As plantas estão tão bonitas que parece quanto menos houver intervenção humana melhor. É qualquer coisa semelhante a isto que gostaríamos de conseguir na horta, talvez um pouco mais assim.

3 de junho de 2009

***


Ontem correu tudo bem com a Estrela. Está em franca recuperação, só não consegue andar com o "capacete", que a impede de chegar com o focinho aos pontos. Desorienta-se e começa andar para trás. Já o tirei, ontem mesmo, e está tudo bem. Fica horas ao meu colo...estou feliz e aliviada por ela estar a voltar a ser a gata que era.

31 de maio de 2009

Sr. Pinela e o bando de pássaros tristes

Sr. António Pinela, alguém que, de entre muitos ofícios, observa o que o rodeia com imensa poesia. Nesta conversa com Rafael Correia, no Lugar ao Sul de 23 de Maio de 2009, fala no estado de alma dos pássaros, que agora andam mais tristes. Diz ele que os pássaros, antigamente, aquando das lavouras e sementeiras, corriam cantando atrás do tractor, alegres. Já nas lavouras seguintes, menos pássaros se viam e pareciam tristes.


De tanto passar o tractor na terra, rasgando-a, toda a vida do solo vai desaparecendo. A terra fica sem pele e os seres, que habitam o solo, sem protecção para sobreviverem. Os pássaros ficam tristes porque o alimento escasseia, até um dia deixar de haver pássaros e aí ... seremos nós que ficaremos tristes por já não os ouvir cantar.

Um dia destes vou conhecer o Sr. Pinela, e aprender a ver o romper da aurora e o brilho das estrelas.

28 de maio de 2009

Gozando um dia de sol


A Estrela tem estado feliz mas o problema persiste. Até chegámos a tentar um tratamento homeopático, esse sem custos porque foi incorporado noutra situação, mas sem resultado. Decidimos então ir ao Hospital da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, e só me pergunto porque não fomos mais cedo.

Fizeram as análises básicas ao sangue e o que hoje parece o mais evidente, e o que deveria ser para qualquer veterinário, por mais inexperiente que seja, uma ecografia. A gata tem um cálculo na bexiga, enorme, e é isso que tem provocado o sangramento. Fico aliviada pois o diagnóstico poderia ser pior, uma cistite psicossomática ou um tumor. Fiquei a saber que até os gatos podem ter que tomar antidepressivos para tratar situações psicossomáticas. Vai ser operada na 3ª feira.
Vamos aguardar, mas agora acho que tudo vai ficar bem.

trabalhar com a natureza

Conheci a Horta Bio, onde assisti a este vídeo. Complemento ou mesmo contraponto (trabalhar com a natureza e não contra ela) ao vídeo que coloquei aqui ontem. Vale a pena ver até ao fim, além de muito bem feito levanta questões importantes a pensar. Cada vez mais considero que a Permacultura é um dos caminhos, pois além duma abordagem completamente diferente nas formas de cultivo, as mudanças a operar estendem-se muito para além disso: limitar o consumo (o Stanley é um bom exemplo), partilhar recursos, viver de acordo com princípios éticos e muito mais.