28 de fevereiro de 2010

Bolota

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Hoje foi o dia da Bolota partir, uma cadelinha amorosa.
Não era nossa mas era próxima e fomos hoje enterrá-la, eu e R. Também tem lugar no Trumbuctu, onde a vida e a morte se cruzam. Contar como foi, agora, pouco interessa mas faz-me reflectir sobre a forma como hoje se lida com a morte.

Quando os meus avós morreram, era miúda, lembro-me bem como foi. A imagem deles, no caixão, ainda está presente, e mesmo os momentos (dias) que antecederam a morte. Morreram em casa, junto da família e o velório durou três dias. Estiveram sempre acompanhados. Partiram em alturas diferentes, primeiro o meu avô, depois a minha avó, mas partiram de igual forma. "Acompanhados".

Quando o meu irmão morreu não foi assim e faltou-me esse tempo.

Hoje. Hoje morre-se num dia e é-se enterrado no outro rapidamente, se não no próprio dia, depende da hora da morte. Quase nunca se morre em casa e os corpos são velados em lugares frios e sombrios. Ficam sozinhos durante a noite, porque já ninguém fica acordado a velar os seus mortos. Deixámos de ter esse tempo, o do primeiro luto, da despedida e de deixar o momento da morte fazer parte da vida.

Com o meu avô e com a minha avó foi diferente. Guardo sagradamente essa memória e agradeço, embora fosse pequena, terem-me permitido viver esses dias. Sempre que possível, quando algum Ser morre perto de mim procuro que seja assim.
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24 de fevereiro de 2010

O sr. Abel partiu hoje...



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... e com ele toda a sua sabedoria de como tratar a terra e as culturas.
Fica o muito do que ele me ensinou.

23 de fevereiro de 2010

como prender garrafões de plástico...


[Actualização de 20.02.10] ..., que protegem as plantas jovens, para não voarem?
Como por aqui o processo de cultivo é um pouco diferente, estrume, cartão e palha, não fica terra para podermos enterrar os garrafões de plástico, que protegem as ervilhas. Várias vezes passei por um vizinho, aqui perto, e via que ele tinha os garrafões todos certinhos e sempre no mesmo lugar. Pensei cá para comigo: como tem a terra descoberta deve tê-los enterrados.

secar urtigas


Secar urtigas para fazer infusões e chorume durante o resto do ano, quando já não há. A urtiga deve ser apanhada antes de começar a florir pois é nessa altura que a planta é mais rica nos seus princípios activos. Normalmente deixamos secar em lugar resguardado e sombrio durante cerca de três semanas.

Propriedades: rica em sais minerais destacando-se o ferro, fósforo, magnésio, cálcio e silício; vitaminas como a A, C e K; ácido fórmico, tanino, entre outras.

Acção: essencialmente desintoxicante, anti-anémica e diúretica.

Infusão: cerca de 50grs de folhas secas ou 100grs de folhas verdes. Podem utilizar-se todas as partes da planta. Três chávenas de chá por dia e diz o bom senso não mais do que 10 dias.

Na sopa ou em saladas pode igualmente ser utilizada.

22 de fevereiro de 2010

Feijão verde rasteiro


Feijão verde rasteiro germinado

Sempre pensei que o feijão verde fosse todo de armar, este ano descobri que não. Como já é hábito, a Z. é que  me falou neste tipo de feijão. Coloca-o a germinar antes de o por na terra e deve ser semeado nesta altura. Lá fui a correr ao Sr. Zé Jacinto buscar sementes. Espero ter trazido das que ele semeia, nada de pacote.

Viveiro 2010


Meloa, abóbora hokaido, cebola, beringela, tomate, pimento, melancia, alfaces várias, chicória e coentros. Como tem chovido muito e o frio continua ficou tudo na estufa, mesmo os coentros e alfaces que não necessitariam. Em alguidar, tapados com plástico estão nabiças e mais cebola. Tudo para transplantar no final de Março.

Organizar a sementeira


Na esperança de não ter mais surpresas destas e saber o que tenho a fazer, na altura certa, o lema é organizar. O viveiro está pronto. Esperamos começar a transplantar lá para o fim de Março. Entretanto, este ano vamos semear as mesmas variedades ao longo de vários meses e esta caixa de sementeira é muito útil para quem não tem experiência.

Cenouras, tomates, pimentos, feijão, etc, terão a sua sementeira mensal até ser possível, prolongando as colheitas e maximizando as variedades hortícolas durante todo o ano.

Caixa de sementeira de My Tiny Plot via Kabaret Patafísico

21 de fevereiro de 2010

as árvores também choram


"As árvores também choram", disse-me a D. Noémia que veio cá no outro dia fazer uma enxertia nas ameixieiras. Achei linda esta a frase, ainda mais depois da explicação que ela deu. As enxertias devem ser feitas no período de repouso das árvores, quando a seiva ainda não corre, por esta altura do ano. Se for mais tarde, já perto da Primavera, a seiva em circulação brota e a árvore chora. Talvez por isso, nos passeios dados por aí, nunca tenha gostado de ver as feridas feitas nos troncos para se tirar a resina. Eram as árvores a chorar.

Cenouras


[Actualização de 01.02.10] As cenouras, semeadas com este método visto no Tiny Farm Blog, parece que ajudou a uma germinação mais rápida das plantas, 20 dias, e sem erva por perto. Vamos aguardar e ver o que vem por aí. Muita cenoura e pouca erva??