4 de setembro de 2010

dia aberto em Tamera


Hoje passámos o dia em Tamera. Percorremos caminhos para aprender formas de travar a desertificação do Alentejo, com Sepp Holzer. A recepção foi calorosa. Esperavam-nos sorrisos e um simpático pequeno almoço.

3 de setembro de 2010

ontem salvámos um musaranho


Foto Naturlink

Ontem salvámos dum afogamento eminente o que julgamos ser um Musaranho-de-dentes-brancos. À primeira vista parecia um rato mas ao retirá-lo da água reparámos, apesar da pelagem acinzentada, que o focinho não era de rato e sim bicudo. Era um animal tão pequenino, tão pequenino que não tinha mais de 10cm. Fora de água, imóvel, tremia imenso, não sei de frio se de susto. Quase parecia morto. Com um empurrãozinho lá se esgueirou pelas ervas e não voltámos a vê-lo. Com a aflição nem me lembrei de tirar uma fotografia. Aqui podem ler a ficha completa do Musaranho-de-dentes-brancos.

hoje a vista foi assim


Parece calmo na imagem, mas não está. O mar aqui raramente é tranquilo. Tanto assim é que daqui de casa o ouvimos e hoje, agora que escrevo, está particularmente forte. Nestes momentos, só eu e o mar, tenho reflectido sobre várias coisas. Tomei consciência de como vivi estes últimos anos - da mesma forma que vivo a horta. Acontece-me, com alguma frequência, não saber o que plantei e só quando as plantas crescem as consigo identificar; antes de perceber porque que é que algumas delas ficam doentes logo parto a semear mais sem pensar como posso evitar que isso aconteça; ou não dou tempo para que cresçam, semeio de novo, e depois tenho surpresas, o que até é bom. Prendo-me nos pormenores e o meu olhar distrai-se para ver o que está à volta perdendo o melhor da paisagem. Mas hoje a "vista" foi assim...

1 de setembro de 2010

apoio à caiação


Apoio à caiação no município de Santiago do Cacém.

Cedência gratuita de cal, pigmentos e materiais de pintura (pincéis) aos
munícipes do Município de Santiago do Cacém.

A campanha realiza-se entre 3 de Maio a 30 de Outubro de 2010

Quem estiver interessado pode consultar o folheto que a Câmara disponibiliza, aqui, onde se pode ler  sobre o que é a cal, a sua história, como se prepara e aplica.

31 de agosto de 2010

uma mochila carregada


Aranha lobo (Hogna radiata)* com uma "mochila" carregada de vida. Irá depositar a sua prol algures como esta fez aqui.

* Se não estou enganada.

30 de agosto de 2010


Esta é a vista que tenho, daqui onde me encontro sentada. Agora, neste preciso momento. Com o som do mar ao fundo e uma certeza quase absoluta de que é na natureza que quero estar, é com ela que quero trabalhar e através dela partilhar quem sou. Aqui ou em qualquer outro lugar.

Na minha adolescência o meu ídolo era Jack Karouak e o meu livro favorito "On the Road" (Pela estrada fora). Viver no meio das montanhas, viver com as montanhas, vir a ser um dia guarda florestal. Foi nessa altura também que conheci a Serra do Gerês, de São Pedro do Sul e outras que se estendiam ao longo do rio Zêzere, num triângulo mágico formado por Arganil, Pedrógão e Castanheira de Pêra. Olhava para as casas  dos guardas, na altura a maioria ainda em bom estado de conseração, e sonhava. Imaginava-me a viver ali, num pontinho branco no meio da montanha e do verde.

29 de agosto de 2010

depois de uma longa ausência


De repente começou a ficar com as folhas amarelas, os ramos quebradiços, os pequenos frutos mirrados, caindo um por um, até que a morte se avizinhe certa. É assim que me sinto, como esta laranjeira.

O caminho tem sido longo e cada vez mais penoso, como se tivesse uma corrente a prender-me uma perna à outra. A cada passo que dou a corrente vai perdendo elos, ficando mais pequena, e os meus passos cada vez mais curtos. Acorrentada, encurralada, prisão de mim mesma.

Costumo ter um sonho, recorrente, em que me encontro na plataforma duma estação de comboios deserta. Quando vejo o comboio a aproximar-se reparo que estou no cais errado e corro. Corro, desço umas escadas para voltar a subir outras e alcançar o cais do lado contrário da estação, mas não chego a tempo. O comboio passou sem o poder apanhar. Depois penso para comigo: 'Talvez me tenha enganado, é melhor ficar neste cais à espera do próximo'. Mas acabo sempre por estar do lado contrário e nunca apanhar o comboio.

A mola interior, energia ou força anímica que todos nós temos, tem vindo a perder força, em movimentos de câmara lenta. Tudo parece desligado, des+ligado, e não tenho conseguido re-ligar-me. A terra ainda parece ser o único Lugar onde timidamente o consigo fazer.

"São as águas de Março fechando o Verão"