17 de setembro de 2010

pelo montado


É um dos lugares por onde eu mais gosto de passear, o montado. Ao fim do dia a luz desce dourada como se estivéssemos num bosque encantado. É assim o montado no fim do Verão.

16 de setembro de 2010

"a terra, (...) nua até aos ossos"


"(...) A terra, desolada, nua até aos ossos, pulverizada com o pó dos séculos, está morta.(...)"

in Os Navegantes do Deserto de Théodore Monod.

Um dia será assim, se entretanto não travarmos as alfaias dos tractores. Pelo menos por aqui, em terras do sul que no Verão se misturam com as areias do deserto. A vida que existia neste solo dizimada e com ela o próprio solo - a terra, (...) nua até aos ossos.

"Para haver formação de solo, tem que haver vida. Para haver vida, o solo necessita de ser coberto."

15 de setembro de 2010

da vida na horta à noite


Saí, para ir lavar os dentes, e no canteiro junto à porta estava uma rã pequenina. Escolheu o vaso onde semeámos a única semente de glicínia que sobrou, das que Z. nos deu. A rã no fresco do vaso, pois tem um gotejador quase por cima; a semente de glicínia, afortunadamente para nós, germinada e já uma jovem planta.

14 de setembro de 2010

a porta


Voltei a reler um livro que há muito tinha deixado na prateleira - Guia da Meditação, de Paramananda - no dia a seguir a este post e logo na primeira página "A Porta", o relato sobre um homem atormentado por um sonho recorrente:

"(...) Ele encontra-se preso dentro de um quarto, incapaz de abrir a porta e fugir. procura a chave pelo quarto, mas nunca a consegue encontrar. Tenta com toda a sua força abrir a porta, mas esta não cede um milímetro. Não existe outra maneira de sair do quarto a não ser pela porta que ele não consegue abrir. Está encurralado e com medo. Numa sessão com o seu analista ele descreve este sonho, que atormenta o seu sono há anos. O analista ouve cuidadosamente o relato do sonho (...). Ele sugere que talvez a porta possa ser aberta na direcção oposta. Quando o homem volta a ter o mesmo sonho ele lembra-se da sugestão e descobre que a porta se abre para dentro sem a menor resistência. (...)"

Talvez eu só precise de ter confiança que o comboio vai passar - se passam para lá também devem passar para cá - ou que o melhor é sair da estação e apanhar um táxi. Pode ser que me lembre, se o voltar a sonhar.

10 de setembro de 2010

8 de setembro de 2010

da horta


Tomates, três variedades (cereja, pêra e outra que não sei o nome), manjericão, funcho, abóboras e couves. Como não sou muito apreciadora de couves, pelo menos só cozidas, ontem fiz um prato especial: rolinhos de tofu. Depois de cozinhado - em cebola, coentros, alho e tomate- pica-se e enrola-se nas folhas de couve previamente cozidas. Um fio de azeite por cima, e mais alho para quem goste, acompanhado de arroz basmati e salada de tomate com oregãos. Uma delícia.

7 de setembro de 2010

depois de caiada


Depois de caiada ficou assim. Branca, branca como só a luz do Alentejo 'pinta 'as casas. Para que a pintura fique mais impermeável à água da chuva e humidade existe uma alternativa ao sebo de carneiro, que se usava antigamente, o óleo de linhaça. Basta 1% de óleo, relativamente à quantidade de cal utilizada, para que não sejam afectadas as micro-estruturas da argamassa. Isto aplica-se à cal aérea simples (cal viva ou virgem). Nós seguimos a seguinte receita: para 8kg de cal 8 colheres de sopa de óleo e o óleo junta-se na altura de 'matar' a cal. Aplicar duas demãos A primeira mais diluída (com textura de leite) e a segunda um pouco mais espessa. A cal fornecida pelo município, a quem agradecemos esta iniciativa, é de excelente qualidade.

5 de setembro de 2010

mudar de pele


Não seria bom podermos mudar assim de pele? Deixá-la para trás, corpo morto daquilo que já não interessa, do que já não faz sentido ou que não cabe mais em nós. Começar a mexer os braços, as pernas, o tronco sentindo uma nova vida num novo corpo.