25 de maio de 2011

raízes ❢ e flores ❀




raízes ❢ 
A horta cresce a olhos vistos se compararmos com o início da estação. Ontem foi o último dia para semear tubérculos e plantas com raiz subterrânea tuberosa ou caule subterrâneo. Transplantámos vários pés de beterraba resultantes do desbaste das que estavam na cama das alfaces. Aproveitou-se algum espaço livre noutras camas; tomates, rúcula  cougetes ficaram com beterrabas como companhia.

Os girassóis também estão bem desenvolvidos. As sementes utilizadas são daqui. Os tupinambos este ano estão fabulosos ":), transplantados em Dezembro do ano passado, alguns tubérculos da terceira geração.

flores ❀
Os próximos dois dias serão dedicados às flores, regar a horta com chorume de urtiga e tirar alguma erva.

Até lá!
   ♥

24 de maio de 2011

jantar crú



nham, nham ":) Hoje o dia foi de novas experiências. Com frutos secos, azeite, cenoura, banana, sal e pimenta de cayenna fiz um hambúrguer, acompanhado de uma boa salada de alface, da horta, com cebola e capuchinhos. Aliás, devo dizer que as alfaces da horta estão lindas!

De sobremesa uma mousse de chocolate e canela. Tudo crú, mesmo crú e sem ir às compras ":). Uma delicia!

Ambas as receitas são do Centro Vegetariano, o hambúrguer aqui e a mousse aqui. Como não tinha todos os ingredientes descritos fiz com o que havia cá em casa e em vez de nozes usei uma mistura de frutos secos (nozes, avelãs, caju).

Para o hambúrguer as quantidades foram a olho: uma chávena pequena de frutos secos, três cenouras pequenas, da horta, um quarto de uma cebola média, um pouco de azeite, sal marinho e pimenta de cayenna. Bati tudo no liquidificador e voilá. Como ficou um pouco mole adicionei uma colher de chá de levedura de cerveja para ligar melhor os ingredientes.

A caminho vem o Pão de Essénio. Já tenho trigo sarraceno de molho.

Há muito tempo que o meu corpo me pede alimentos crús mas havia sempre um motivo para não experimentar: o hábito da cozinha tradicional portuguesa, não saber, falta de paciência para cozinhar.Enfim, um sem número de razões. A experiência de hoje foi muito positiva. Rápido, saboroso, divertido e... bonito.

fora e dentro de casa



Hoje não trabalho, está demasiado calor para andar lá fora e no entra e sai da porta cruzo-me com inúmeros e diferentes exemplares de aranhas que se vêem por aqui. Na horta agradeço que andem, dentro de casa não me importo, agora em cima de mim é que não!!

reflexão


O comentário deixado pela cris, neste post, levou-me a reflectir sobre o percurso que tenho feito na horta. Sou mais impulsiva do que reflexiva e por isso às vezes tenho abóboras onde esperava melancias ou sou surpreendida por flores que já não me lembro de ter semeado. Por essas e por outras, este diário é uma ferramenta fundamental no meu caminho. Uma espécie de 'Estrela Guia'.

Olhei para as categorias, aqui ao lado, e saltaram-me à vista os Habitantes da horta (82), as Formas de cultivo (39) e as Sementes (38), de tudo o que tenho observado pelo caminho. É bom, parece-me ir na direcção "certa". A diversidade de fauna é essencial para o equilíbrio que procuro e é importante saber  qual o papel que desempenha neste pequeno ecossistema. São eles, os habitantes da horta, que controlam os excesso de populações (a que nós chamamos pragas), viabilizam a produção de alimentos e nos permitem ter  o que semear na estação seguinte.

Depois, a forma como cultivamos o solo determina se o mantemos vivo ou não, isto é, se permitimos que a vida existente na primeira, e mais importante, camada do solo permaneça desempenhando, também ela, o seu papel. Este aspecto liga-se determinantemente com o anterior, complementa-o e fecha o ciclo terra/ar. Existem muitos outros, como por exemplo a água, a que ainda não dei a devida atenção mas o lema é: "soluções pequenas e lentas", o nono principio da Permacultura.

A seguir a semente, uma possibilidade renovada de semear para colher. e poder dar ou trocar este tesouro; sem ele ninguém vive. Algo impossível com sementes híbridas e transgénicas. A sua herança genética termina com a colheita. E os bancos de sementes? Apesar de todas as condições ideais de conservação, serão elas viáveis se algum dia viermos a precisar?? Tenho sérias dúvidas.

A par destas três categorias, saltaram ao olho outras como as Hortícolas (96), em maior número até, e ainda bem pois o objectivo primeiro desta horta é alimentar-nos, e as Iniciativas (47) com as quais aprendo e onde encontro muitas vezes inspiração para o meu trabalho.

23 de maio de 2011

solitude

vespa solitária



Vespa Solitária - Megascolia maculata - macho
Demorei 2 dias para a conseguir fotografar e quem me dera ter uma lente macro. Ver os pelinhos, as asas, os olhos bem definidos ":). Depois, assusta ver um insecto assim tão grande (esticada devia ter cerca de 5cm) e ainda por cima uma vespa.  Tenho-a visto sempre nas flores do alho francês. A identificação foi feita através da site Wildlife Holidays onde encontrei o macho e fêmea. Depois confirmei através do excelente trabalhado de Walter Jacinto, onde normalmente encontro identificação dos habitantes da horta.

A fêmea distingue-se bem do macho porque tem a cabeça amarela e o macho tem as antenas mais compridas. Alimentam-se do néctar das flores e de larvas de escaravelho. Apesar do tamanho são inofensivas para o Homem, mas eu prefiro manter distancia ";)

22 de maio de 2011

ervas daninhas, uma outra perspectiva


Ainda não conseguir deixar de arrancar ervas daninhas da horta. Embora a maioria do solo esteja coberto, acabam sempre por nascer junto das plantas cultivadas. Demoram mais tempo a despontar, a maioria delas é erva da palha e não me preocupa muito retirá-las porque as raízes estão fora do solo. Hoje passei a tarde a tirar essas ervas e a limpar as camas; o facto de andar quase de rosto colado ao chão permite-me, muitas vezes, encontros como este: uma joaninha numa folha de chicória, não sei a fazer o quê. Parece uma espécie de casulo (??)

Existe uma erva por cá, daninha, daninha, daninha ... o escalracho, que se estende pelo terreno a uma velocidade vertiginosa. Fura o cartão, insinua-se pelas pedras, rompe qualquer cobertura que coloque para o abafar. Bom, neste momento preciso de travar o seu avanço na horta mas, entretanto, decidi procurar com mais afinco uma outra forma de olhar estas ervas.

Segundo Geoff Lawton, permacultor e director do Instituto da Investigação de Permacultura da Austrália, a solução está no solo. Segundo ele, as ervas daninhas são simplesmente plantas que se encaixam em nichos particulares do solo, onde as suas sementes encontram as condições ideais para germinar. Ou seja, só germinam se lhes dermos as condições certas. Se alterarmos essas condições as suas sementes não germinarão. Por exemplo, em solos queimados nascem ervas ricas em potássio (mineral resistente ao fogo); em solos compactados nascem plantas com raízes profundas como o dente-de-leão; num solo demasiado trabalhado nascem plantas com sistema radicular fino e denso, que permite a agregação das partículas soltas do solo; por fim, num solo desgastado nascem plantas fixadoras de nitrogénio. Talvez por isso feijões e ervilhas se desenvolvam tão bem em solos pobres.

A solução está  em reequilibrar as condições e estrutura do solo. Isso consegue-se, ainda segundo Geoff Lawton, incorporando matéria orgânica no solo - composto de boa qualidade. As ervas não germinam em composto de boa qualidade. Um bom exemplo desta outra perspectiva são as florestas comestíveis - forest gardens - sobre as quais um dia falarei aqui.

via Ecofilms

20 de maio de 2011

milho, feijão e abóbora-menina





20 e 21 de Maio
Frutos☌

Se algum agricultor profissional me ouvisse acharia, talvez, que eu não estou bem da cabeça. Semear milho em viveiro?? Sim, foi o que fiz há duas semanas. Não tinha um lugar na horta preparado para o receber, nem tempo para o fazer. Isto, se quisesse semeá-lo em tempo certo e ainda encaixar a sementeira nas datas do calendário biodinâmico, que continuo a seguir. Assim, agarrei num tabuleiro de sementeira, semeei os grãos e fui regando. Hoje transplantei-o, semeei mais feijão de trepar, de duas variedades, recolhi as sementes de couve de pé alto (plantadas o ano passado por volta desta altura) e semeei abóbora-menina.

Este milho não é híbrido nem transgénico mas há uma coisa que me preocupa. O vizinho, que vive a poucos metros, semeia milho híbrido se não mesmo transgénico, suponho eu, e é muito possível que se dê o cruzamento de ambos. Haverá alguma solução para isto?

Com as abóboras acontece-me o mesmo. Semeamos variedades diferentes que acabam por cruzar. Nem sei se pepinos, courgetes, abóboras e luffas não cruzam entre si. No caso das abóboras sei que é necessária uma distância mínima de 500 metros ou polinizar as flores manualmente, para impedir a polinização cruzada, mas também não o sei fazer.

Por tudo isto gostava de estar num terreno grande, com espaço suficiente para estas questões nem sequer serem levantadas ":)

19 de maio de 2011

um escultor de contos


Rodolfo Castro, o contador de histórias que tivemos oportunidade de ouvir ontem. No vídeo "Um conto maldito",  não contado na sessão mas que encontrei disponível para trazer aqui.Ouvimos  quatro histórias contadas por alguém com uma admirável expressão corporal, um escultor de contos. Tanta que quando abria o braços e fazia que voava, voávamos com ele pelas montanhas da América Latina; quando tocava no casco do transatlântico e sentia os encaixes do ferro, sentíamos a textura e a aspereza do metal. Contou que um amigo lhe falara de um poeta, não me recordo do nome, cujos poemas pareciam tambores, e quando fechou a sessão com este poema escutámos o som dos tambores. Adorei!