31 de agosto de 2011

estranhos frutos




[actualização de 14/08/11]
Estranhos frutos estes. O primeiro, kiwano, kino ou pepino africano, Cucumis metuliferus, oriundo do deserto de Calaari é uma trepadora anual da família das curcubitáceas. Toda a planta é comestível, fruto, folhas e sementes, as quais possuem propriedades vermífugas; depois de moídas e transformadas em pó pode fazer-se uma emulsão com água e consumir-se. [1] Não o temos por cá mas, segundo li, já é plantado em Portugal. O que me atrai neste fruto é a casca já colocada a secar, o sabor nem por isso. As sementes também vou guardar mas tenho dúvidas se as irei semear. A introdução de espécies exóticas é uma questão a ponderar, sempre, pois as implicações ambientais podem ser imprevisíveis. Uma delas pode ser a introdução de insectos sem predadores, transformando-se assim em novas pragas.

O segundo fruto, luffa - Luffa - foi a única planta, das quatro que me deram, que frutificou. Ainda só tem um único fruto (e é só dele que necessito para guardar as sementes) mas não sei se irá sobreviver. Parece-me já muito tarde.

28 de agosto de 2011

final de Agosto





flores ❀ (25/08 e 26/08)
Colhi sementes de funcho, calêndula e cenoura. Tratei das sementes de abóbora hokaido, provenientes de uma abóbora biológica comprada, e de tomate. Quando digo tratar é ver se estão bem secas, sem fungos ou furos para poderem ser armazenadas. Na imagem, da esquerda para a direita, sementes de cenoura e respectiva umbela, abóbora, funcho e umbela ainda com sementes, e deste tomate. Foram também mais calêndulas para a terra que, segundo li, se podem semear em Setembro e Outubro, para além da Primavera.

folhas ❧(27/08 e 28/08)
Hoje semeei alfaces (não sei se de inverno), aipo, salsa, coentros, manjericão (não é altura mas vou experimentar), mais calêndulas e ainda transplantei couve portuguesa que nasceu espontânea.
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O padrão das calças que comprei no mercado anual de Grândola - seis dias seguidos de feira - que termina já amanhã. 'Escapei sozinha' para poder ir à vontade, andar ao meu ritmo e espreitar as bancas sem pressa; fazer a estrada da serra com a minha música e passar para outro mundo. Que bom! Depois no sábado fomos todos juntos e ainda trouxemos alguns cabos para ferramentas, mas feirar feirar é mesmo sozinha.
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Uma pasta de amêndoa com alga kombu. De sabor e textura entre o requeijão e o queijo de barrar. Pura delicia!
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E voltei a fazer mais espuma de barba e creme depilatório, que entre si só diferem no nome. Desta vez utilizei o óleo de calêndula que fiz no mês passado e algumas gotas de óleo de alfazema, também feito em casa. A receita melhorou e estamos fornecidos para os próximos três meses.

22 de agosto de 2011

presentes



Presentes da horta: Paté de grão que a A. comprou para oferecer a uma amiga e que têm sido sucesso, principalmente o de grão cru germinado. Durante a semana passada encomendas de cestos da horta. Quando parece estarmos a chegar ao fim de um ciclo o nosso olhar é surpreendido por um manjericão a nascer aqui, beldroegas ali, o melhor dos figos pingo de mel, agora, e sementes, muitas sementes para renovar os ciclos. Presentes da terra. A vida.

calêndulas ou maravilhas




Gosto de observar a passagem dos ciclos pela terra, o fim e o principio - ou ao contrário, se quiserem.
Colher sementes de Calendula officinalis para semear na próxima Primavera.
 O ninho dos melros que já partiram, faz tempo, tão bem construído (com "alcatifa" e tudo, como diz o R.). Preparar mais óleo de Calêndula que irá ficar a curar ao sol como aqui.

17 de agosto de 2011

colher para semear, secar para armazenar





Colher sementes de tomate para semear no ano que vem. O processo está explicado aqui mas a Zília disse-me que costuma congelar o tomate e no ano seguinte, depois de descongelado, retira as sementes para as semear. Embora mais trabalhoso, prefiro este método. Depois de retirar as sementes coloquei os tomates a secar.

Será o primeiro ano que vamos experimentar secar alguns legumes da horta. Começámos com os pimentos, agora os primeiros tomates e um pouco de abóbora Hokaido. Os alimentos, para serem secos ao sol, devem ser colhidos frescos e preparados rapidamente para a secagem. À noite recolhem-se e no dia seguinte voltam ao sol, até secarem. Não devem ultrapassar o limite de desidratação, cerca de 15% de humidade. Utilizo uma faca com lâmina de cerâmica. Comprei-a, principalmente, para cortar as ervas aromáticas pois impede a oxidação mas, agora, corto todos os legumes com ela.

Aproveitei umas molduras velhas para fazer o secador, composto por vários tabuleiros sobrepostos onde, em cada um, fixei um tipo de gaze. O ar circula, a luz entra, mas os insectos ficam fora do processo.

Ao jantar uma tarte crua de quinoa e lentilha cor de laranja, germinadas, recheada de tomate, cebola, aipo e polvilhada de alho, azeite e sementes de sésamo. Chamam-se agora, mais precisamente a L. que inventou 'As árvores de canabás', de 'crueira' ":O
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15 de agosto de 2011

como é o teu olhar?





árvores de canabás


- É ali, onde são as árvores de canabás?, pergunta L., a minha prima pequenina de 8 anos, sobre algo que já não me recordo.
- ???! Árvores de canabás ??? O que são as árvores de canabás?, perguntamos nós.
- São aquelas árvores que se vêm lá ao fundo, responde ela prontamente.
- Lá ao fundo são sobreiros, dizemos nós. Árvores de canabás? Porque dás aos sobreiros esse nome?
- Porque são árvores que têm junto ao tronco uma caninha.

Depois percebemos que  quando estiveram a plantar sobreiros, marcaram o local de cada pequena árvore com canas. Assim ficam mais visíveis para nada nem ninguém lhes passe por cima. Na foto estão longe e mal se vêm as canas, mas estão lá.

Talvez os sobreiros, um dia, venham a ser chamados de  árvores de Canabás ":)

14 de agosto de 2011

a pele da terra





Desorientação total. Fico assim quando quero controlar tudo e percebo que não controlo nada. A horta cheia de erva; os dias de plantação a correrem, no calendário, e as sementes a não irem para a terra; preparar a casa de banho para o inverno, algo que tem corrido mal pois cada coisa que decido empreender me leva a um beco sem saída. Pessoas a irem e a virem, querer estar com elas e tudo isto a rodar na minha cabeça. Decidi parar e começar pelo que, no fim, me corre sempre pelo melhor: a horta.

raízes ❢
(calendário biodinâmico)

Plantei umas podas de batata doce numa das camas dos feijões, como costumam fazer aqui com a batata vulgar. Já vai tarde para esta cultura mas espero que resulte. Se até espinafre selvagem me nasceu em pleno Verão... ":)

Limpei quatro camas, caminhos - que tapei com cartão - e plantei as podas de batata, já muito raquíticas pelo tempo que esperaram por terra. A batata doce costuma ser plantada em Maio, estamos em Agosto - a sorte é dos audazes ":) - mas também só chegaram há duas semanas.

A única flor de Luffa das quatro plantas que me deram. Transplantadas em Maio acho que já deveriam ter fruto e não flor. Não sei o que será ??! Por fim, nabos e rabanetes em viveiro. Os nabos, a variedade que semeámos - nabo de Milão - pode semear-se durante o mês de Agosto e Setembro.

Mas o mais importante foi perceber que o solo não me parece estar a recuperar, muito pelo contrário. Falta-lhe matéria orgânica, húmus, pele. Para isso precisa de mais sombras; cobrir o solo ajuda mas não é suficiente. Já tenho planos para Outubro, com o desenho de uma nova horta, e se tudo correr como espero na Primavera as mudanças já serão visíveis.

Ah, e ali ao fundo, do lado direito (primeira foto), muito altos, os tupinambos. Lindos!