12 de março de 2012

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Para quem, como eu, não conhecia a flor da salsa.

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Quase 100% cru. Salada de agrião com Tsatsiki , rebentos de alfafa e arandos vermelhos (a minha última descoberta alimentar), cenoura ralada e tosta de trigo sarraceno germinado. O Tsatsiki faço com Kefir (muitas vezes chamado de flor do iogurte), em leite vegetal. Infelizmente, com os leites vegetais que faço ainda não consegui que resultasse. Compro leite vegetal biológico de soja e arroz. As tostas de trigo são desidratadas em forno aberto, com a temperatura no mínimo e que verifico várias vezes.

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A estufa no inicio de Março. Mal nascidas, as plantas estavam, afinal, a precisar de alimento. Reguei com chorume de urtiga, intercalando com água de estrume. Tudo ganhou vida nova vida e as plantas estão agora em franca recuperação. A partir de meados de Março começam as transplantações. Em breve publicarei um post sobre o que faria de diferente na, e com, a estufa.

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Ensaio para o galinheiro, ou melhor, tractor de galinhas - será móvel para poder andar com ele pelo terreno. De um lado a casinha para dormir, do outro a zona da água e do alimento. No meio levará rede galinheira. Quando estiver mais habituada às galinhas solto-as na horta.

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Sementeira em viveiro

 07/03
pepino, couve chinesa, feijão rasteiro, lufas, pimento vermelho, abóbora hokaido, meloa, abóbora menina, pimentos

08/03
feijoca, malagueta

10/03
nabo roxo,  cebolas, cenoura e nabo de Milão

Nota: as cebolas podem ser semeadas até Maio, sendo que as de Maio darão as cebolas para o inverno. A partir de agora podemos espaçar as sementeiras directas com intervalos de quinze dias, por exemplo do feijão rasteiro, dos nabos, das cenouras, para colhermos estes legumes até mais tarde.

11 de março de 2012

da horta, em Março







Durante o Inverno o que mais me custou foi manter a minha alimentação, vi-me condicionada a reduzir a quantidade de alimentos crus, tenho feito mais ou menos 50% de cada. Por um lado porque da horta pouco podia colher, por outro tinha vontade de alimentos quentes, e por último o trabalho por aqui tem sido tanto (com muitos acontecimentos pelo meio) que se tornou difícil de gerir. Mas em dias de sol, quentes, com a Primavera a anunciar-se torna-se mais fácil. O almoço de um desses dias, 100% cru: ' queijo de amêndoa' polvilhado com sementes de linhaça dourada, salada de alface, de cenoura com nabo e coentros a que juntei pedaços de maçã. Tempero com azeite e limão.

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Lã para pentear, dada pela Zília, para juntar à que comprei ao Sr. António mas que ainda está por lavar. Um dia farei um edredão com ela.

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E agora, apresento-vos a Milu que em breve será um dos novos habitantes da horta, oferta também da nossa amiga Zília. Tenho ido visitá-la e aprender a não ter medo de galinhas. Pois é, não tenho propriamente medo delas mas não estou habituada. Tinha receio das bicadas mas afinal não dói nada :) Virá ela, um galo e alguns pintos para ajudarem com a erva, para darem estrume e ovos para os cestos da horta, e um dia morrerem de velhos.

A Milu vive perto de um montado onde gosto muito de passear.

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Os primeiros rabanetes da estufa. As favas foram quase todas destruídas pelo gelo das noites frias, partiram. Valeu-me ter semeado mais umas, já tarde, e que espero possam dar alguma coisa. As ervilhas também vão crescendo mas como diz o ditado: Vai à fava enquanto a ervilha enche!

16 de fevereiro de 2012

gente de fibra


Contra a força da natureza não se luta, é uma batalha sempre perdida, a única, acho. E como não chove há que aproveitar o sol. Preparo as camas para a Primavera com manga transparente, o principio utilizado na monda quente. Queimam-se, assim, as ervas sem mexer no solo, sem destruir a vida que ele contém. Quase o mesmo que as geadas têm feito com as favas, as árvores de fruto e muitas plantas aromáticas... até dentro da estufa!

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Memórias do passado dia 11 de Fevereiro.
Gente de fibra, numa luta, essa sim, que vale a pena travar. Indiferença, desistência, não!! Encontrei um antigo vizinho da minha infância, hoje com oitenta e oito anos. Lá estava, rijo - apesar de aparente Parkinson - na frente de arranque da manifestação. Gente de fibra como ele são uma fonte de inspiração. Quero ser assim aos oitenta e oito anos, se lá chegar. Não desistir, não fingir, não ficar indiferente. Sim, é isso! Não ficar indiferente. Quero sentir o sangue a correr-me nas veias! Quero ser como as árvores, para morrer que seja de pé.

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E a música. Ah, a musica ... salva-me muitas vezes de mim. Hoje é Sara Tavares. Não gostava muito dela mas há dias ouvi-a numa entrevista e surpreendeu-me, alguém tão jovem e já com tanta sabedoria. Procurei algumas musicas, gostei. Gostei dos ritmos, da voz, da poesia.

Ando em replay continuo com esta - ' deixa-me ser só ser'.
Sim, deixem-me ser só ser. É possível??

8 de fevereiro de 2012

'walking the right away'


Uma das musicas do filme The Station Agent que vi recentemente em dvd. As composições sonoras foram surpreendentes, como esta também (podem ouvir várias aqui), o filme, uma inspiração ... Como um livro que chegou ao fim e que não queríamos que acabasse. Tempos e lugares emocionais, já pouco vistos, dados por excelentes actores. O trailer é pouco elucidativo mas o filme não percam!

24 de janeiro de 2012

ir e vir






Lisboa.
A minha cidade.
19 de Janeiro de 2012.
A nítida percepção de um lugar onde já não consigo viver mas que gosto de visitar.

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Algar.
A. L. Garcia.
As máquinas de costura do meu bisavô. A caderneta, tão amorosamente guardada, do pagamento das prestações de uma máquina que veio parar às minhas mãos setenta e dois anos mais tarde, pela mão do Rogério.

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De regresso à horta, ainda parca em legumes para comer só com favas e ervilhas a crescer. Uma volta pelo terreno trouxe-me saramago (Raphanus raphanistrum), dente-de-leão (Taraxacum officinale) e catacuzes (Rumex crispus) para fazer um batido de ervas.
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Folha do dente-de-leão. A sua textura e os pelinhos ajudam a distingui-la de outras muito parecidas.
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Batido de ervas selvagens com banana e limão. Foi o meu jantar de ontem, altamente nutritivo. Acompanhei com bagas goji e crakrers barrados com pasta de sementes de girassol germinadas. No fim uma sopa de lentilhas e fiquei cheia ":)

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Quando regressei fui ver a estufa. Os potes, em sete dias, já estavam com menos de metade da água.

14 de janeiro de 2012

estufa - parte II



[actualização de 13.01.12]
A lista de espécies semeadas em estufa aumentou
- alface (por engano pois não é fruto, é folha)
- abóbora-menina
- tomate variedade antiga de França, trazida pela Murielle (guardei a semente mas não etiquetei)
- malagueta redonda
- alho-francês
- beringela
- pimentos verdes (variedade de França, trazida pela Murielle)

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13 de janeiro de 2012

a estufa - parte I







Na minha cabeça os projetos são sempre fáceis e rápidos de executar. Traço planos mentalmente - raras são as vezes em que os coloco em papel - e pronto, já está! Mas depois, com a mão na massa, as coisas complicam-se e vejo que afinal não é assim tão fácil ou tão rápido. Sou persistente [e teimosa :|] e normalmente, depois de alguns resmungos e desânimos, chego ao fim. E agora já posso andar em pé dentro da estufa!

Foi feita aproveitando bocados de tubo e fitas de rega velhos, engenho utilizado há muito pela gente da terra. Só comprei o plástico. Os tubos estão encaixados em tubos de esfregonas enterrados e espias de aço (era o que havia por aqui) e presos uns aos outros pelas fitas de rega; a parte traseira está fixada à empena da casa das ferramentas em quatro pontos com abraçadeiras de espigão (?).

A parte do plástico foi um pouco mais complicada de fazer, tenho sempre receio de cortar (plástico ou tecidos, se bem me entendem). Bom, cortei, cobri a estrutura e abracei os tubos do topo com o plástico, posteriormente presos com o auxilio de um agrafador industrial. Depois, cortei o plástico para os topos e voltei a abraçar os tubos com ele, novamente com agrafos. A base do plástico, do lado de fora e depois de bem esticado, fica enterrado na terra.

Os potes de barro - wetpots - serão o sistema de rega utilizado, técnica da qual já falei aqui. Também podem consultar o Instituto de Permacultura da Austrália onde este sistema de rega ancestral está muito bem explicado (em inglês).

Num dos estudos que referem, potes com capacidade de cinco litros irrigam um diâmetro de vinte cinco centímetros. Na estufa verifiquei que, após estarem enterrados e cheios de água, a dispersão é lenta e ao fim de dois dias estava ainda a escassos centímetros do pote. Isto pode dever-se ao substrato de germinação que utilizei. Vamos observar...