28 de novembro de 2015

de onde sopra o vento?


Em frente a vista da horta, e em breve um lindo campo de tremocilha, enquanto se vão feltrando luvas com sabão Grão da Terra.

Da horta para o jantar, ou pelo menos para uma parte dele.

Uma espiral de vida ascendente com beterrabas, alfaces e alho francês, com um moinho no centro para me fazer lembrar seguir na direcção em que o vento sopra, o caminho será de certo mais fácil.

Paula

24 de novembro de 2015

aquela que é ...



... aquela que é a minha verdadeira paixão, a terra.

"O essencial é invisível aos olhos."
Antoine de Saint-Exupéry

18 de novembro de 2015

se tens ...


Se tens:
terra para semear
água para regar
e braços para trabalhar
o que esperas para arregaçar as mangas?

Paula

21 de outubro de 2015

a preto e branco


Desta vez não há fotografia mas há noticias da horta.
Sinto-me esmagada por tantas imagens, tanta cor, tanta distracção, tanta imagem sem sentido a procurar fazer sentido a quem as vê.

Apetecia-me, por algum tempo, ver tudo a preto e branco - como as fotografias de Sebastião Salgado -, porque o preto e branco despe a realidade, arranca a alma para fora, realça o que efectivamente existe. No preto e branco é impossível esconder, o que está vê-se.

E a propósito de preto e branco (ou branco e preto), um documentário a não perder e a rever várias vezes.

'A terra sarou o desespero de Sebastião.'
in
O SAL DA TERRA

Agora, aqui pelo Trumbuctu o que temos andado a fazer (?)...

... semeámos tremocilha em todas as zonas da horta que não terão culturas. Foi mesmo a tempo de apanhar esta bela chuva. Semeámos favas e ervilhas e plantámos: couves, beterrabas, alfaces, cebola temporã, alho francês, cenouras, coentros, bolbos de flores e retirámos muiiiiiiito escalrracho (vários carrinhos de mão dele). Falta plantar uns pezinhos de jasmim e trago uma novidade - um pezinho de Gogi :)

Ainda vou fazer uma experiência com Curcuma, em vaso, e ver no que resulta. Daqui a umas duas semanas voltamos a semear mais fava e ervilha - entretanto é tempo de fazer alguns viveiros.

Paula

10 de setembro de 2015

Zygmunt Bauman


O mundo pós-moderno: a condição do indivíduo, os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança.

(...) Segurança sem liberdade é escravidão; liberdade sem segurança é o caos - não é possível sonhar, planear, agir ... (...)

15 de agosto de 2015

quando os lobos foram reintroduzidos em Yellowstone


Espantoso o que acontece quando 'deixamos' a Natureza seguir o seu curso natural - ou como os lobos podem mudar o curso dos rios. O Homem, a maior parte das vezes devia estar quieto, a observar.

Paula

à janela...


À janela ... pano impresso com plantas e pétalas frescas.
Esta casa tem uma luz linda ao fim da tarde.

Paula

5 de agosto de 2015

à procura da cor


As plantas, a semente, ver nascer, colher ... isso é realmente o que me fascina. Como a natureza se auto-renova, se adapta, flui.

À procura da cor,  com plantas. Perceber o que elas podem oferecer e extrapolar para o sabão; o vermelho já descobri, falta-me fazer o teste. Ou como a lã e o sabão se cruzam muito para além do que o segundo faz à primeira: o feltro.

Barbaritas (Barbara Faber) e Grão da Terra.

30 de julho de 2015

Camané partiu



Camané partiu hoje, às garras de um qualquer animal. De vez em quando aqui é assim ... sobraram algumas penas brancas lá no fundo do terreno.
Viveu feliz e livre durante quatro anos mas eu não voltarei a ter um galo assim, especial.

Paula

22 de julho de 2015

impressão com plantas

Depois duma primeira experiência bem sucedida veio a frustração. Ou porque o tecido era diferente, ou a preparação dele foi mal feita, ou porque as plantas eram outras, ou porque ... enfim. Muito a aprender e experimentar. A primeira experiência foi sorte de principiante.

Esta é uma nova forma de aprender sobre plantas e ervas e aprofundar conhecimentos, ao mesmo tempo que percebo o comportamento da cor e de que forma a posso transpor para o sabão. E com esta pequenina estrada percorrida penso ter descoberto o vermelho e o rosa.

Paula

19 de julho de 2015

uma descoberta maravilhosa (?)


De Corte Sines para Sines. Na costa Alentejana é aqui o único ponto onde foi avistada, em 2009, segundo a Flora-On. E agora em 2015, por mim, em matagal e pinhal. Helichrysum stocheas - Macela, Marcela, Perpétua-das-areias (os nomes vulgares geram muita confusão na identificação de outras plantas semelhantes).

Foi quando andava a colher ervas para impressão em panos que olhei e, de repente, a vi. Já muito seca mas ainda com as suas flores que parecem de papel. Em quase nove anos foi a primeira vez que vi. Discreta no meio do mato, brilhante e singela como só ela sabe ser.

Paula

PS - Ainda assim, com quase certeza de se tratar da mesma espécie, se algum botânico por aqui passar e quiser confirmar fico agradecida.

13 de junho de 2015

da generosidade da Natureza


Um fruto lindo, tropical, mas não sei o que é. O sabor fica entre o doce e a especiaria.
Mirtilos, ainda em vaso ...
Damascos, o primeiro ano que dá fruto.
Araçás, a frutificar pela segunda vez. A primeira foi em Fevereiro.

Todas estas árvores/arbusto foram plantadas há cerca de três anos, excepto os Mirtilos que, coitados, continuam no vaso (nesse ano plantei umas dezasseis árvores). E já comemos nêsperas, laranjas, ameixas e araçás. E o melhor de tudo é apetecer-nos fruta e ela estar à distância de um braço.

A Natureza pode ser mesmo muito generosa.

12 de maio de 2015

impressão com flores e plantas frescas

Uma recente descoberta, com plantas e ervas da horta. Não vou longe para as colher. Experimento com o que tenho, descobertas surpreendentes ... as experiências são para o Grão da Terra, que tem sempre como suporte o Trumbuctu. Faço experiências de cor e aprendo sobre novas ervas seguindo uma técnica cuja precursora é India Flint. Foi depois de a ter descoberto que conheci a Barbara Faber (artesã de arte em feltro), que me ensinou os primeiros passos (onde estou), me mostrou novas plantas e me abriu as portas para um imenso mundo maravilhoso. Um outro mundo das plantas que eu já tinha aflorado aqui em 2007.

Paula

11 de maio de 2015

upa

Porque foi nesta horta, do Trumbuctu, que nasceu Grão da Terra e a ela lhe deve o nome, não poderia deixar de partilhar aqui neste lugar tão especial esta conquista.

Paula

21 de abril de 2015

nasceram ontem





Distracções ... ou melhor, o ninho desta galinha tenho sempre mais dificuldade em descobrir. Quando percebi já era tarde demais e Beldroega já estava no choco há dias. Andam livres e por isso sou eu que tenho de fazer o controlo para que a família não cresça. Estão agora no galinheiro, a mãe e os pintainhos, até terem tamanho para seguir o seu destino. Ou a mãe vai com eles e depois daqui a um mês voltará (ainda não sei como vou fazer).

Paula

24 de março de 2015

feltragem de lã


E que coisas maravilhosas se fazem feltrando lã.
Foi num workshop que fiz há dias, com Barbara Faber - uma artesã de arte em feltro. As flores são uma Íris e uma Papoila nascida de um acaso. Tudo feltrado com o meu sabão.

Deixa-me feliz poder entrelaçar ofícios.

Paula

8 de março de 2015

piro-gravador


Primeira experiência com o novo piro-gravador. Acho que desde a minha adolescência não trabalhava com uma coisa destas. Tem imensas pontas substituíveis o que permite diferentes tipos de traço.

A base foi o que sobrou do wc seco, já lá vão quase quatro anos sempre a funcionar, e o grão nem sabia que ia nascer - no centro um sabão com dois anos ainda em perfeito estado. Há quase quatro anos este bocado de madeira por aqui andava; eu sabia que haveria de fazer alguma coisa com ele pela forma do corte que o tico-tico deixou.

Os ciclos fecham-se, no bom sentido, e foi sempre isso que quis. Reduzir o mais possível o 'desperdício' das actividades do dia-a-dia. O grão nasce da terra e para ela volta, num ciclo infinito de transformação.

Paula

19 de fevereiro de 2015

paixões






Sinto-me como as pequeninas sementes,  Cravos da Índia  anões (Tagetes patula) à janela e em estufa, a emergir do solo, a romper a terra. Como algo aparentemente tão frágil consegue vencer aquela barreira de solo na procura da luz?

Este foi um bom ano de urtiga (Urtica dioica), húmido e chuvoso. Podemos fazer tantas coisas com ela:
- comer crua, cozinhada ou em batidos com maçã.
- fazer adubo
- óleos
- chá

Morugem (Stellaria media). Sobre esta erva uma ficha completa aqui. O Camané adora, erva das galinhas.

A primeira luva Grão da Terra feita com lã de Ovelha Churra do Algarve, de um produtor local. Lavada por mim e fiada por uma artesã local, Barbara Faber (com pouca coisa disponível na net), trabalha em feltro com uma imensa mestria e tem um trabalho pelo qual  nutro profunda admiração.

Camané e Violeta à porta do 'restaurante'. Todos os dias aparecem para ver se há algum grãozinho.

Paula

27 de janeiro de 2015

23 de janeiro de 2015

erosão do solo


imagem via Goods Home Design
Através desta simples experiência podemos perceber qual a importância da cobertura do solo, principalmente com plantas vivas.

via Goods Home Design

Mais um desabafo relativamente à publicação anterior: cobrir o solo com rede sombra, ou telas anti erva, para evitar o crescimento de ervas daninhas aumenta a margem de lucro do negócio (evita máquinas ou mão de obra) mas destrói o solo de formas irreparáveis - integrar/consociar culturas e não separar. Onde está a sustentabilidade, se é que posso perguntar, destes emergentes projectos de que tanto se fala como modelos viáveis de negócio?

Paula

'pequena-grande' escala

Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Mediterrânicos
Gosto de ver que finalmente os nossos recursos, tão nossos, tão mediterrânicos, começam a ser valorizados. Torço um pouco o nariz a estas designações de "Centros de excelência" mas louvo as iniciativas. Agrada-me, igualmente, ler alguns apontamentos sobre Permacultura no meio de textos de "excelência", "empreendedorismo", "sustentabilidade".

EPAM – Empreender na Fileira das PAM em Portugal
Um site que agrega muita informação, alguma bastante útil, e nos permite fazer uma análise de como está o nosso país em termos de Produtores de Aromáticas. Interessante.

Rede Rural Nacional
Um exemplo de integrar em vez de separar, pessoas e não formas de cultivo. Pode ser uma plataforma interessante para encontrar informação e não só. Ainda em desenvolvimento.

Desabafo: Não sei se sabem mas cultivar aromáticas em massa - ou seja o que for - de sustentável não tem nada. Continuamos a repetir o mesmo padrão de cultivo, separar em vez de integrar. Não sei se sabem mas pelo ambiente isso pouco faz e pela Terra? Nem comento.

O lucro mantém-se como meta a atingir, agora revestido por palavras bonitas como empreender, dinamizar, sustentável, etc. Palavras há muitas, como chapéus!

Paula

5 de janeiro de 2015

Bioparques

Seria bom pensarmos mais vezes por que MÂOS passa aquilo que pomos no prato.

Bioparques - México. Grande produtora agrícola exportadora para os EUA:
- trabalho escravo
- trabalho infantil
- fome
- ausência completa de condições de trabalho (dormem em chão de cimento com escorpiões a passear pelos seus corpos)
- trabalham, trabalham, trabalham e não ganham nada

in Los Angeles Times

E as grandes promoções dos supermercados são, tão só, a 'despromoção' (desrespeito, humilhação, formas modernas de escravatura) de alguém, de muitos. E ainda há quem questione o slogan "compre local, compre a quem produz".
A indiferença mata e pactua com os opressores.

3 de janeiro de 2015

pib ou fib?



"Ouvi dizer que no Botão não existe produto interno bruto e sim felicidade interna bruta."

Um filme a não perder.

Paula

2 de janeiro de 2015

cera natural para móveis


Foi assim que comecei o primeiro dia do ano, a fazer cera para móveis. A receita é simples e eficaz. É um pouco difícil de espalhar mas substitui na perfeição qualquer produto para conservar a madeira. É natural e não é tóxico.

No meu caso utilizei óleo de linhaça, mas pode usar-se qualquer óleo. De preferência incolor e que não rance rapidamente (azeite, por exemplo).

1 parte de cera de abelhas
3 partes de óleo

Derreter a cera de abelhas em Banho Maria. Quando estiver liquida juntar ao óleo, mexer e verter no recipiente de armazenamento. Deixar arrefecer - a mistura vai endurecer ficando uma pasta maleável - e fechar o recipiente. Podem ainda fazer experiências com cor, utilizando ingredientes naturais como a argila rosa, o açafrão, casca de pinheiro em pó. De inverno e com a salamandra acesa aproveitamos a fonte de calor para estas actividades. Em meia hora têm um pote feito.

Utilizar produtos apícolas, na minha modesta opinião, é uma forma de incentivar pequenos produtores e contribuir para a conservação e manutenção de colmeias. Sem as abelhas não conseguiríamos viver. Mesmo com um Banco Mundial de Sementes (do qual tenho sérias dúvidas que nos possa valer em caso de catástrofe).

Gestos importantes para cuidarmos da Terra, gestos importantes para contrariarmos um sistema financeiro selvagem e cruel. Ler este artigo - tão bem escrito pelo José Rui, da Quinta do Sargaçal - e não deixem de ver o documentário.

É imperativo reduzir o consumo, embora o que mais se oiça é precisamente o contrário: é imperativo aumentar o consumo em prol da revitalização das economias. Até um dia ... BUMM!!!!

Paula